quarta-feira, 14 de março de 2012

REGISTRO HISTÓRICO DA RUA CORONEL JOSÉ GALDINO DE SOUZA

 
Localizada no Bairro do Rio Vermelho, a tradicionalmente conhecida Ladeira de São João, foi palco da manifestação popular junina durante muitos anos. Porém, com a mutação governamental – e por interesses políticos – a rua localizada na Avenida Cardeal da Silva, que faz ligação com a Avenida Anita Garibalde, passou a chamar-se Coronel José Galdino de Souza. Tomo ousadamente a opinião de que, talvez, seja por causa do catequismo jesuítico e pelas tradições católicas comemorativas, que a rua onde moro até hoje chamou-se “Ladeira de São João”. Como o próprio nome já diz, a rua conservou durante muitos anos a tradição da festa popular junina.  
Pesquisando sobre o “passado” da rua onde vivo e vivi boa parte da minha vida, pude perceber o quanto ela é rica historicamente. A região onde hoje é o Rio Vermelho foi local onde o português Diogo Álvares Corrêa naufragou com sua embarcação entre os anos de 1509 e 1511. Fugindo dos índios Tupinambás, ficou escondido na "Pedra da Concha" e quando avistado pelos índios usou o bacamarte para atirar numa gaivota. Espantados, os nativos começaram a exclamar: “Caramuru”! Que na língua tupi significa “homem do fogo; filho do trovão; dragão saindo do mar”.
Com a aproximação com os indígenas, Caramuru foi se fixando nas terras brasileiras sendo um dos mais influentes habitantes da colônia, fazendo intermédio entre os indígenas e os comerciantes franceses de pau-brasil e os portugueses das expedições colonizadoras. Envolveu-se com uma índia - mais tarde batizada de Catarina Paraguaçu - com quem se casou e estabeleceu domínio das terras tupinambás.
Como a terra pertencia aos índios, Catarina era tratada pelos Portugueses como a dona da tribo. Devido ao forte processo de catequização, Catarina Paraguaçu tornou-se uma religiosa fiel da Igreja Católica e doou boa parte das terras à Igreja, o que justifica que as terras do Rio Vermelho pertençam  à Igreja Católica. 
Começando a receber novos moradores, a região teve dois primeiros núcleos de povoamento: a Paciência e a Mariquita. No início do século XX ainda era pouco povoado, sendo local para veraneio da classe alta da época, com suas grandes chácaras. A instalação de bondes elétricos possibilitou a formação de uma real população, tendo o calçamento das ruas e a Avenida Oceânica como consolidação do bairro.
Em 1972 a Enseada da Mariquita, no bairro do Rio Vermelho, foi sacrificada para permitir a construção do emissário submarino, espinha dorsal do sistema de esgotamento sanitário da Cidade do Salvador. Toda a faixa de areia e uma parte da água desapareceram sob um aterro cuja finalidade era servir de base para o canteiro das obras.
Saber que a minha rua tem história é também perceber que esse conhecimento está para além da localidade em que habito. É entender o presente através do passado, contribuindo com a formação/construção da identidade dos habitantes do local, no resgate da cultura e origem de um povo, na busca da minha essência e ligação com este lugar.


CURIOSIDADE: Dizem alguns estudiosos que o bairro do Rio Vermelho ganhou esse nome devido à flor que crescia abundante no local, de cor avermelhada, chamada de Cambará. Outros dizem que o termo deriva da palavra Camarogipe (Camaro – vermelho e Ipe – rio), nome do rio que corta a região e grande parte da cidade de Salvador - chamado em alguns lugares de Rio das tripas.
A Bacia Hidrográfica que atinge toda a Centenário chama-se Bacia do Lucaia. O Rio Lucaia é um braço do Rio Camurujepe a partir do Iguatemi, que desagua no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho. 

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